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METALLICA - raiva contida PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Como tem sido apanágio na sua carreira os Metallica despertaram ódios, surpresas e amores com o seu álbum «St. Anger». Mas uma coisa é certa ao vivo o grupo de São Francisco continua a dominar como poucos o conseguem fazer. Aproveitando a sua recente visita ao nosso pais a LOUD! teve a oportunidade de conversar com James Hetfield e Kirk Hammet a propósito do documentário «Some Kind Of Monster» e não só. 
 

Como é que vocês sentiram as reacções dos fãs ao «St. Anger»?

Kirk Hammet – É como em todos os outros discos dos Metallica. Até parece que há uma divisão ao meio, umas pessoas gostam e outras não, mas toda gente tem sempre alguma coisa a dizer sobre o assunto – seja a melhor coisa que fizemos ou a mais merdosa. Não podemos agradar a todos, por isso fazemos aquilo com que nos sentimos mais confortáveis. Essa é a maneira mais honesta de se lidar com isso

 
Sei que vocês passaram por muitas complicações. Mas qual foi o incentivo para fazer esta espécie de regresso as raízes com um formato mais simples e directo. Foi necessário agirem assim para poderem ultrapassar essa crise?   

James Hetfield – Talvez sim, talvez não. Nem sequer sei como chegamos a esse ponto... se calhar as coisas tiveram de acontecer dessa maneira para poderem surgir... Ao princípio todas as canções soavam de uma maneira totalmente diferente daquilo que acabaram por ser no final. Foi preciso tudo isso para podermos alcançar o que acabamos por atingir. Não sabíamos o que estávamos a fazer, começamos a fazer jams e a escrever, o Bob acabou por aparecer e depois pegou no baixo – o que foi sinal de que devia estar a ser bom porque ele estava a envolver-se – e no final tínhamos canções que pareciam energéticas e que reflectiam a expressão daquilo que sentíamos na altura.
 
 
Ouvi dizer que vocês chegaram a registar a maior parte dos temas com vários tipos de som de bateria. É verdade?      

James Hetfield – [risos]!
 
Kirk Hammet – Este álbum não foi muito polido. O que se ouve no disco é próximo daquilo a que soamos na sala onde estávamos a tocar. Tentamos alguns sons mais diferentes e quando se ouve o disco é isso que se sente. Mas foi isso com que nos sentimos bem nessa altura, e por isso fizémos as coisas dessa maneira.   
 
James Hetfield – Era tão simples quanto o facto do Lars gostar da forma como as coisas soavam. Ele é o baterista e nós só tínhamos de dizer OK. [risos] 
 

Acerca do documentário «Some Kind Of Monster», o vosso próximo lançamento em DVD. Vocês permitiram que mesmo cenas mais pessoais fossem exposta nesse documento ou censuraram algumas coisas? 

James Hetfield – As cenas de balneários foram postas de parte, quanto tu apareces-te. Ups, esquece isso... [risos] 
Sabes foi tudo filmado o que havia para filmar e dissemos aos gajos que estavam a fazer o filme para desaparecer e que concluíssem o projecto. Nós não queríamos ficar para ali a criticar e a analisar as coisas do género – “Oh! Não estou com bom aspecto ali” – ou – “Aquela parte vai fazer com que as pessoas me interpretem mal”. Não quisemos nada disso, dissemos-lhes para fazer o filme de forma a que quem o visse pudesse tirar as suas próprias conclusões – se gostam do álbum ou se gostam do filme. Por isso não houve muita participação da nossa parte, eles limitaram-se a filmar o que fazíamos.
 
Kirk Hammet – Não houve muita auto-censura, ou edição de material. Para ser sincero se soubesse que este era o filme para passar em cinemas a nível internacional teria tomado mais duches. [risos] 
 

Uma das coisas que achei bem interessante foi o facto de vocês terem comprado a “parte” que correspondia à editora...

Kirk Hammet – Porque é que isso é tão interessante para as pessoas????
 
Porque a maior parte diz que você são ricos e só se preocupam com o dinheiro e lucro que podem fazer. Mas na realidade vocês estão a borrifar-se para o dinheiro...  

James Hetfield – Mas nós sempre fomos assim. Sempre investimos quantias enormes e se conseguíssemos ficar em casa já era muito bom. Se conseguirmos ter sucesso com isto, houve muitas outras coisas em que não fomos bem sucedidos. [risos]
 
Kirk Hammet – Por exemplo no que diz respeito a digressões. Investimos imensas quantidades de dinheiro para no final obtermos magras margens de lucro. E por vezes passamos doze ou catorze meses a gravar sem nos preocuparmos com as despesas dando prioridade à qualidade do produto final. É assim que fazemos as coisas. O mesmo sucede com este filme apenas fazemos o que sempre fizemos no decorrer da nossa carreira. Mas se calhar é por isso que é engraçado para mim que as pessoas foquem esse aspecto. Isso é algo que sentimos que teria de ser feito para podermos preservar a integridade do filme...
 

Por exemplo os realizadores de «S.K.O.M.» contactaram-vos quando fizeram o famoso documentário «Paradise Lost: The Child Murders At Robin Hood Hills» [NR: sobre os presumíveis assassinos de três crianças de oito anos] e pediram-vos para utilizar a vossa musica nesse filme, eles até estavam à espera de uma resposta negativa porque geralmente vocês não permitem esse tipo de coisas. Mas não só autorizaram como... 

Kirk Hammet – Lhes demos as músicas de borla. Era uma boa causa e que fazia muito sentido para nós. Sabíamos que eles estavam a trabalhar com meios muito escassos, e por isso tentamos ajudá-los...   

 
Vocês estão a planear entrar em estúdio lá para o final do ano. Estou certo ou errado?  

James Hetfield – Ambos! Porque eu também não sei... [risos] Os laivos de criatividade estão sempre a fluir. Temos muitas ideias e cenas até engraçadas, mas nem sei se vamos utilizar este material que compomos enquanto estamos na estrada. É algo que é frugal e que só existe para nos fazer sentir a magia enquanto estamos na estrada. Se alguns desses riffs sobreviver e acabar num disco é fixe. Mas sei que quando começarmos a fazer um novo álbum existirá material e que ele há-de surgir de onde deve surgir. Só não sei quando é que isso vai acontecer, quando esta digressão terminar já terá passado um ano e meio na estrada. Por isso precisamos de um pouco de tempo para limpar as nossas cabeças, e fazer um intervalo. Por isso acho que voltaremos a estúdio algures no próximo ano. Mas depois aparecem propostas de espectáculos, e depois surge o Verão e só apetece tocar ao vivo...       
 
Kirk Hammet – ... Nós precisamos de um intervalo para melhor podermos investir nesta banda. 

 
Ouvi dizer que vocês estão a pensar desvincular-se das editoras a que estão ligados e começarem a funcionar de forma independente. O que é que isto quer dizer? 

Kirk Hammet – Nos dias que correm existem muitas opções. Não sei qual será a forma ou o formato que as coisas vão tomar, mas temos muitas opções por onde escolher. Mas por enquanto não vamos fazer grandes modificações. Pelo menos que eu saiba.

 
Nos EUA vocês estavam ligados Elektra/Warner Brothers e na Europa é a Universal.    

James Hetfield – Nos Estados Unidos as coisas estão um pouco diferentes. A Elektra deixou de existir o que foi um choque para nós porque sempre foi algo que nunca pensamos que nos acontecesse... mas aconteceu. Vamos tentar construir outra família lá, é muito complicado que as pessoas com trabalhaste durante muito tempo e que sempre te apoiaram desapareçam de repente – são despedidos. Temos de construir novos laços de amizade, apenas isso.
 
 
Mas vocês não estão a pensar em editar as coisas através da Internet como o Prince tentou fazer? 

Kirk Hammet – Acho que ainda está para vir uma banda que faça isso com sucesso. E quando isso acontecer temos de pensar que o controlo da situação esteja garantido e ai poderemos pensar nas coisas. Mas ainda é muito cedo para pensar nisso. Até nem gosto muito de falar nisso.

 
Por falar na Internet vocês estão a fazer um projecto bem interessante que é disponibilizar por uma módica quantia, em www.livemetallica.com, a maior parte das vossas actuações, como é que isso funciona?

James Hetfield – Temos connosco um gajo que é perito em Pro-Tools depois é editado para evitarmos de ter dez minutos da multidão à apupar-nos. [risos] Mas nada é emendado tudo fica como está, mas acima de tudo tem muita qualidade. É como nos bons velhos tempos em que se podia trazer um gravador e ficar a gravar, mas assim não se podia ir para o mosh, agora temos alguém que se preocupa com esses detalhes...

 
James podemos dizer que estás muito diferente daquilo que eras há vinte anos? 

James Hetfield – Sem dúvida. Fisicamente, mentalmente, espiritualmente, emocionalmente, tudo isso. Muito diferente, mas ainda há um “eu” que fervilha e eu sei quais são as minhas paixões. Adoro música, ela fala por mim e fala para mim. Adoro criar coisas e continuo à procura de famílias em todo o sítio. Continuo a fazer isso.